“Para mim, está tudo bom”, disse Abílio. “Foi bom isso que aconteceu, senão não estávamos aqui. Estou feliz”, contou André. A aparência dos irmãos está mais sadia, sentem-se amparados e estão se alimentando corretamente, fazendo acompanhamento médico, tomando os remédios para pressão, diabetes e analgésicos adequadamente.
“É uma diferença muito grande. Percebemos que a feição deles é outra, de estar perto da família, de estar sendo bem cuidado, se alimentando direito. Se tivessem continuado naquela situação, talvez não estariam vivos”, observou Tatiane Guerra, assessora da Justiça Comunitária.
“O projeto não parou lá. E o Judiciário que continua acompanhando essas pessoas e conscientizando a família de que não estamos aqui para penalizar, mas para ajudá-los”, frisa.
Na visita, a equipe questionou como está o recebimento da aposentadoria dos idosos, quem estava recebendo os benefícios, quanto repassavam a eles, como está a documentação e quais providências irão tomar para regularizar a situação. Além disso, a família foi esclarecida sobre o andamento do processo judicial que apura o suposto desvio do benefício previdenciário.
Os familiares negaram que Abílio e André estivessem totalmente abandonados. Disseram aos integrantes da Justiça Comunitária que os dois não concordavam sair da propriedade do Vale Abençoado e que foi até difícil convencê-los a voltar para Cuiabá.
O irmão que está cuidando dos idosos junto com a família contou que não podia mais ir visitar Abílio e André por conta de limitações da própria saúde. Ele também é idoso, tem 80 anos de idade, e sofre de uma hérnia e dores na coluna, de modo que a locomoção é bastante limitada. Além disso, a filha dele que estava mais à frente dos cuidados com os tios idosos faleceu há 15 dias.
O plano da família agora é construir uma casa em um terreno que possuem, ao lado da residência de um dos sobrinhos dos idosos, no bairro Altos da Serra, e depois trazer os animais, que poderão ser criados na área mais espaçosa e apropriada do que a casa do irmão Martinho.
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